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Consciência ambiental gera mudança de hábito e economia no Imasul

Órgão do Governo do Estado dá exemplo ambiental banindo plásticos e restringindo lixeiras no prédio

A quantidade de plástico que chega aos oceanos anualmente está na casa dos 10 milhões de toneladas. Estudo do Fórum Econômico Mundial estima que, continuando este ritmo, em 2050 haverá mais resíduos plásticos que peixes em mares e rios.

 

Infelizmente, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo: são 11,3 milhões de toneladas por ano. Fica atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Índia, países mais populosos. Desse total produzido, só 145 mil toneladas são recicladas.

 

Este cenário, aparentemente desolador, pode – e deve –  ser transformado através de iniciativas que visem a conscientização. O trabalho de educação é lento, mas necessário, “Só vamos deixar de usar canudos, copos e sacolas quando compreendermos a importância de mudar de atitude”, é o que ensina o Chefe da Unidade de Educação Ambiental da Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), órgão vinculado a Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Adriano Coelho

 

Educação é a saída

 

O exemplo que vem dos servidores do Imasul e do programa Atuação, implantado em 2017, deixa claro que a resposta à degradação ambiental é, de fato, a conscientização. No prédio, situado no Parque dos Poderes, os 280 funcionários não usam mais copos nem canudinhos plásticos. Para facilitar a vida dos servidores, a instituição deu a cada um dos servidores uma caneca.

 

 

Lixeiras ficam no corredor do Imasul e cartazes explicam passo a passo o processo de descarte do lixo

 

E nada de lixeiras abaixo das mesas de trabalho. No Imasul, todas elas foram trocadas por 12 “pontos” de coleta, dispostos nos corredores. São duas lixeiras grandes onde se separa o lixo seco e o lixo úmido. Antes de descartar o marmitex, por exemplo, o servidor lava o recipiente para retirar todos os resíduos de comida. Essa simples atitude, segundo Adriano, além de evitar o mau cheiro causado pela deterioração do alimento, facilita o trabalho de reciclagem.

 

Os novos hábitos adquiridos com o programa, de acordo com ele, estão sendo incorporados inclusive nas famílias. E alcança até os amigos. “Várias pessoas do meu grupo carregam o seu próprio copo e canudinho”, conta. Ele mesmo carrega na mochila seu kit ecológico (composto de copo com tampa e canudo – de aço inoxidável) para todos os lugares. E faz questão de lembrar que mais de 70% dos resíduos gerados em casa são recicláveis.

 

 

Chefe da Unidade de Educação Ambiental, Adriano Coelho, estimula a mudança de hábito

 

Mudança gera economia

 

Inspirado no programa da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, chamado “Ambientação”, a Imasul tem planos de estender o seu programa Atuação para as cidades onde há Unidades de Conservação e também para outros órgãos do governo. A Semagro, por exemplo, está em fase de articulação com o órgão e deve ser a primeira Secretaria a implantar o programa.

 

Os resultados do programa, de acordo com Adriano, são compensadores. Além de aumentar a consciência ambiental e ecológica das pessoas, o Imasul conseguiu reduzir custos ao evitar a compra de material descartável, mudar os hábitos dos servidores e proporcionar um ambiente de trabalho muito mais saudável.

 

Os cinco “erres”

 

De acordo com uma convenção nacional do meio ambiente, foi estabelecido cinco conceitos essenciais para a educação ambiental que são os seguintes:

 

Repensar

 

Reduzir

 

Recusar

 

Reutilizar

 

Reciclar

 

E foi baseado nestas premissas que o Imasul conseguiu implantar com sucesso o programa Atuação. Refletir sobre o uso de materiais plásticos e a forma que será descartado na natureza, é o primeiro passo. “Se não fizermos esta reflexão vamos continuar produzindo resíduos e não haverá mais espaço para destiná-los”, prevê o chefe da unidade de educação ambiental do Imasul.

 

Dicas para diminuir o lixo

 

– Evitar embalagens desnecessárias, optando por produtos com embalagem única

 

– Preferir embalagens reutilizáveis, como potes de vidro, ou biodegradáveis, como sacos de papel

 

– Reaproveitar sacolas plásticas como sacos de lixo

 

– Descartar o lixo reciclável separadamente

 

 

 

 

Canudos de plástico levam mil anos para se descompor no meio ambiente

 

Impacto ambiental do uso dos canudinhos de plástico

 

O canudinho de plástico representa 4% de todo o lixo plástico do mundo e, por ser feito de polipropileno e poliestireno (plásticos), não é biodegradável, podendo levar até mil anos para se decompor no meio ambiente.

 

Vetado em Mato Grosso do Sul, Acre, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Distrito Federal e São Paulo, em 17 dos 18 estados onde o artefato ainda é permitido tramita ao menos um projeto de lei no Legislativo estadual para proibi-lo.

 

A produção desse material contribui para o consumo de petróleo, uma fonte não renovável; e seu tempo de uso é muito curto – cerca de quatro minutos. Mas o que são quatro minutos para nós equivalem a centenas de anos de poluição para o meio ambiente.

 

Longe de ser o principal problema quando o assunto é poluição por plásticos, o canudo funciona como uma “porta de entrada” para discussões mais profundas – e, por ser um item dispensável no consumo diário, pode ter um apelo mais significativo.

 

Franquias de alimentos deixam de usar canudos

 

Banir o consumo de canudos de plástico se estabeleceu como uma tendência praticamente irreversível em 2018. A rede de cafeterias Starbucks anunciou recentemente que vai deixar de usar canudos de plástico em lojas de todo o mundo até o final deste ano, evitando o consumo de mais de um bilhão de canudos. A rede de fast food McDonald’s também anunciou recentemente que deixará de usar o apetrecho em lojas do Reino Unido e da Irlanda. O Bob´s também está retirando os canudinhos de plástico e substituindo por comestíveis.

 

Se leis não bastam para que os canudinhos sumam de vez de restaurantes, bares, quiosques e padarias, ao menos acompanham um aumento da conscientização de parte dos brasileiros.

 

Afinal, não é um sacrifício usar acessórios de papel, de metal ou mesmo de materiais naturais —ou simplesmente dispensá-los e beber direto do copo.

 

O fim dos canudinhos é uma boa notícia, mas a humanidade precisa repensar a sua relação com o plástico descartável. São necessárias medidas mais drásticas e alterações de hábitos para evitar que os oceanos continuem a ser tomados por milhões de toneladas de lixo biodegradáveis todos os anos.

 

Ambientalistas concordam que as pessoas se acostumaram a usar [canudo de plástico], mas na verdade não precisam dele para tomar uma água, suco ou refrigerante. “É importante as pessoas perceberem que não fazemos isso pelo meio ambiente, como se ele fosse separado da gente. Nós somos o meio ambiente também, fazemos pela nossa vida”.

 

 

 

 

Vídeo mostrando retirada do canudo de plástico no nariz da tartaruga viralizou no mundo inteiro

 

Saiba mais sobre os famigerados canudinhos:

 

– O vídeo da retirada de um canudo do nariz de uma tartaruga marinha gravado em 2015 pela bióloga Christine Figgener, em Costa Rica, catalisou a mobilização mundial contra o objeto e rendeu à pesquisadora o epíteto, conferido pela revista Time, de uma das líderes da próxima geração.

 

– Dos plásticos de uso único — que são úteis por alguns minutos antes de levarem centenas de anos para se decompor—, o canudo é tido como o item mais fácil de ser dispensado ou substituído.

 

– No Brasil todo, os canudos representaram 0,03% das 6 milhões de toneladas de plástico produzidas em 2016, segundo o IBGE.

 

– Os canudos reutilizáveis e biodegradáveis, como os feitos de bambu, são os mais ecológicos. Em seguida vêm os de metal, material durável e facilmente reciclável, e de vidro.

 

– Reusar é prioridade: lavar um copo tem impacto menor que a cadeia de produção de um material descartável, que também exige consumo de água.

 

– Quando optar pelos descartáveis, vale tentar reutilizar antes de encaminhar para a reciclagem.

 

Fonte Portal MS.

 

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